‘La final de todas las finales’: repórter descreve atmosfera em Buenos Aires para o Superclássico

O resto do mundo gosta de vencer, mas o “xeneize” e o “millionario” vivem o futebol. Nada reúne a importância e a transcendência do que está por vir. A contagem regressiva é irreversível. Um país ficará paralisado pelas próximas semanas. A “Terceira Guerra Mundial” começou e ninguém percebeu. O motivo: a obsessão.

— Tenho conhecidos com eventos importantes, batismos e casamentos na mesma data do jogo, ninguém sabe o que fazer, estão brigando com seus familiares, está tudo um caos. Por sorte, estive presente em todos os Superclássicos desde 2004, é o dia mais lindo do ano, uma adrenalina que não se pode explicar. O antes e o depois marcam sensações muito fortes, eu fico muito nervoso, é algo único. Todos estão comentando, é um assunto constante na televisão, na rua se paramos para ouvir por dois segundos, as pessoas estão falando disso. Nada importa mais — Martín Garcia, torcedor do Boca Juniors.

O mundo conhece a devoção argentina por futebol. Eu também conhecia. Ou achava que conhecia até de fato estar aqui. Fui surpreendida por um fanatismo tão autentico e impactante, que toda minha compreensão e entendimento foram quebrados por uma tradição transcrita nos bairros da cidade: a rivalidade e o fanatismo por dois gigantes, diz o MSN.

— Minha história com o River nasceu no berço. Essa é a nossa grande oportunidade, desde o descenso, para voltarmos a ser o maior. Um torcedor do Boca pode nos dizer “te fuiste a la B” e nós responderemos “te venci numa final de Libertadores”. Se eu pudesse escolher, prefiro ganhar essa Copa do que nunca ter caído, comparo essa sensação à uma final da Argentina em um Mundial. Não quero falar antes do tempo, mais por uma questão de sorte. O River ganhou do Boca nos últimos jogos decisivos e tenho medo de que neste momento, o mais importante da nossa história, o rumo seja diferente. Espero por uma vitória, é a única maneira de afastar o fantasma da serie B — contou Alan Poledo, torcedor do River Plate.

O duelo retrata a Argentina cantada por Carlos Gardel: um país de sangue quente e apaixonado pelo drama. Um sem o outro, não é nada. Perder um Superclássico seria o fim do mundo, o fim da vida. Não há outro evento no calendário que seja tão esperado. Neste momento, Buenos Aires flâmea bandeiras que escrevem sua história.

— O que perder tardará 20 anos para se recuperar — afirmou Mauricio Macri, presidente da Argentina e torcedor do Boca Juniors.

Muitas pessoas chegam do interior do país, um alto número de estrangeiros preenche a cidade. No entorno porteño já se respira a decisão. A loucura começa numa criança, é comum encontrá-las debatendo River e Boca como um adulto, prontas para defender suas cores como se aprende desde pequeno, mal imaginam que é o maior acontecimento de todos os tempos.

— Estou dormindo de três a quatro horas, algo normal para nós argentinos quando se trata de futebol. Todos querem estar presentes. Muitos estrangeiros estão buscando por ingressos. Hoje podemos mostrar ao mundo quem somos e o que fazemos — ressaltou Florencia Pupo, torcedora do Boca Juniors.

Boca e River já decidiram um campeonato, mas nada se compara ao colapso emocional que vive Buenos Aires hoje. As ruas anunciam o apocalipse, mesclas de paixão, temor e conveniência. Para quem será o jogo do século? Para quem será uma jornada de recuperação? Apenas a história contará.

— Eu vivi. Foi a definição do Campeonato Nacional de 1976, o River perdeu para o Boca por 1 a 0. Rubén Suñé cobrou uma falta enquanto Ubaldo Fillol acomodava a barreira, o árbitro marcou o centro do campo e os xeneizes conquistaram talvez a estrela mais célebre de seu escudo. Esta final definirá a grandeza de cada um — Matías Vazquez, torcedor do Independiente.

10/11/2018